Segundo câncer mais frequente nas mulheres, só em 2016 são esperados 57.960 casos novos e aproximadamente 13.570 mortes, segundo dados do INCA no Brasil.

mama

Dentre todos os casos de câncer de mama, a variante mais agressiva e de prognóstico mais reservado, conhecida como triplo-negativo (negativo para receptores hormonais de estrogênio e progesterona e receptores de Her 2) corresponde a 15% do total de casos da doença. Especialmente nesse subgrupo de células malignas, os receptores do fator de crescimento epidérmico (EGFR), bem como os receptores de crescimento semelhante à insulina (IGF-IR), responsáveis pelo crescimento tumoral e desenvolvimento de metástases, encontram-se super expressos. Nessas mesmas células, observou-se concomitante super expressão de receptores canabinoides CB2 que quanto mais presentes, mais se relacionavam a um prognóstico desfavorável quanto à sobrevida livre de doença, constatou estudo publicado pela Universidade de Ohio nos EUA em maio passado. Pesquisadores do Departamento de Patologia da Universidade comprovaram experimentalmente que um agonista canabinoide do receptor CB2 inibiu o crescimento tumoral via EGFR e IGF-IR tanto para tumores estrogênios positivos ou negativos [1].

Ação antineoplásica do CBD, contra câncer de mama em modelo experimental, documentada pela Universidade de Ohio (EUA) [PubMed] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4387115/pdf/nihms657004.pdf

Ação antineoplásica do CBD, contra câncer de mama em modelo experimental, documentada pela Universidade de Ohio (EUA) [PubMed]

Agonistas canabinoides dos receptores CB2 induziram apoptose de células metastáticas de câncer de mama instaladas no esqueleto, segundo estudo realizado em modelo experimental “in vivo” pelo Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Arizona nos EUA e publicado em janeiro de 2013 [2]. Com a redução das metástases, mais integro fica o esqueleto e, com isso, se reduz a incidência de fratura espontânea, melhora a dor óssea e contribui para melhora da qualidade de vida [2]. Sem dúvida, nos últimos meses, uma nova perspectiva de tratamento surge para pacientes com câncer de mama, especialmente portadoras de tumores triplo-negativos.

Estudo realizado no Temple University School of Medicine na Philadelphia USA, publicado em fevereiro de 2014 na British Journal of Pharmacology, demonstrou que o CBD desempenhou um papel protetor contra a neurotoxicidade induzida por Paclitaxel (PAC) mediada em parte pelo sistema receptor 5-HT (1A). Além disso, o tratamento com CBD foi desprovido de efeitos colaterais ou deficiência cognitiva e não atenuou a inibição induzida pelo PAC da viabilidade celular do câncer de mama [3].

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Referências

1.        Elbaz H, Ahirwar D, Ravi J, Nasser MW, Ganju RK. Novel role of cannabinoid receptor 2 in inhibiting EGF/EGFR and IGF-I/IGF-IR pathways in breast cancer. Oncotarget. 2016 17 de maio. [PubMed]

2.       Lozano-Ondoua AN, Hanlon KE, Symons-Liguori AM, et al. Disease modification of breast cancer-induced bone remodeling by cannabinoid 2 receptor agonists. J Bone Miner Res. 2013 Jan;28(1):92-107.[PDF]

2.        Ward SJ, McAllister SD, Kawamura R, et al. Cannabidiol inhibits paclitaxel-induced neuropathic pain through 5-HT(1A) receptors without diminishing nervous system function or chemotherapy efficacy. Br J Pharmacol. 2014 Feb;171(3):636-45. [PDF]